segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cirurgia: Megaesôfago devido à PAAD



Série de fotos e vídeos da cirurgia de uma cadelinha SRD (Menina) de 2 meses de idade e portadora de megaesôfago congênito devido à persistencia de arco aórtico direito (PAAD).  Técnicamente, a cirurgia é semelhante àquela feita para correção da persistência de ducto arterioso (PDA) com a diferença de que no PDA é feita apenas a ligadura do ducto arterioso e não uma secção como se faz no ligamento arterioso no caso de PAAD. O animal deste relato teve uma ótima recuperação, alimentando-se com dieta líquida nos 2 primeiros dias de pós-operatório, passando para pastosa no terceiro dia e, a partir de 1 semana, já se alimentava com alimentos sólidos e sem regurgitações.


foto 1: cadela SRD, (Menina) 2 meses de idade.
Segundo a proprietária, o animal regurgita alimentos sólidos desde que fora adotada e sua condição corporal (tamanho/peso) é cerca da metade comparada ao de seu irmão da mesma ninhada.


foto 2: radiografia torácica contrastada (c/ sulfato de bário). Nota-se uma marcante dilatação esofágica (megaesôfago) cranial à base do coração. A presença do anel vascular (PAAD) constricta o esôfago em seu trajeto sobre a base cardíaca, impedindo assim o trânsito de alimentos sólidos em direção ao estômago. O congestionamento de alimento no esôfago leva à sua dilatação, regurgitação, mal desenvolvimento corporal, engasgos, tosse e pode desencadear em alguns casos pneumonia aspirativa.


foto 3: Animal entubado e mantido em anestesia inalatória (isofluorano);




foto 4: Execução do bloqueio anestésico regional intercostal (lidocaína + bupivacaína), visando boa analgesia intra- e pós-operatória.




foto 5: início da cirurgia c/ incisão de pele no 4o espaço intercostal desde distalmente ao nível dos processos transversos vertebrais até a altura do manúbrio



foto 6: incisão e separação musculares (músc.grande dorsal, serrátil ventral e dorsal e escaleno), por fim a pleura e adentra-se à cavidade torácica.




foto 7: incisão pleural e visualização do coração e lobos pulmonares
 



 foto 8: início do afastamento dos lobos pulmonares com gazes umedecidas em solução salina.



foto 9: afastamento dos ramo nervosos (vago e frênico) com suturas de arrimo




foto 10 e 11: após delicada e meticulosa dissecção romba do tecido gorduroso envolvendo a região do tronco pulmonar esq e arco aórtico, identifica-se o ligamento arterioso com auxílio de uma pinça hemostática.



foto 11:



foto 12: início da ligadura dupla do ligamento arterioso com fio de seda 4.0


foto 13: ligamento arterioso já ligado e seccionado. O próximo passo é sondar o animal (sonda foley) e insuflar o balão da sonda no ponto esofágico que estava constricto pelo ligamento arterioso. (acesse os vídeos seguintes!).



VÍDEOS:
1o. video: mostra o momento da ligadura do ligamento arterioso o qual obstrui o esôfago sobre a base cardíaca.


2o. vídeo: mostra o ligamento arterioso já seccionado, ou seja, os cotos ligados (estruturas esbranquiçadas) e o momento em que o balão da sonda esofágica é insuflado exatamente no ponto estenosado do esôfago. Esta dilatação ajuda a romper as fibroses da musculatura esofáfica para facilitar a posterior passagem de alimento neste ponto.

Um comentário:

Skonbull French Bulldogs disse...

Olá,

Parabéns pela iniciativa,pelos resultados e por divulgar.
Vou registrar seu link em nossa postagem sobre cirurgia para megaesôfago/acalasia.
http://skonbull.blogspot.com/2011/03/cirurgia-para-megaesofago-ou-acalasia.html

Sirley